Domingo, 22 de Janeiro de 2012

Fábrica de Histórias








"Relatório Clínico"

Nº paciente – 617
Nome – Márcio Lopes Gonçalves
Idade – 29 Anos
Patologia: Transtorno da Personalidade– Melomania.

Doente com diagnóstico de Transtorno de Personalidade desde os 16 anos. Apresenta desregulação emocional, raciocínios extremistas bem como gera relações caóticas com algumas pessoas. Situação psiquiátrica que revela instabilidades a nível do humor, problemas de identidade, bem como cria sensações ilusórias. Tem tendência para um comportamento impulsivo, passando facilmente a agressivo quando a situação parece de stress. Foram feitos despistes para situações de depressão, tendência suicida, bipolaridade ou psicopatia, não sendo nenhum deles relevante no caso referido.

O transtorno de personalidade presente, incapacita o doente de viver uma vida autónoma, precisando de cuidados permanentes com supervisão especializada. A medicação a efectuar, antidepressivos, será apenas para evitar um descontrolo emocional intenso.
Pensa-se que esteja na origem da presente patologia uma infância traumática com vários níveis de abusos e negligência por parte dos progenitores.

Internamento no 3º piso ala masculina, quarto 502, cama 4.

O paciente revela altos níveis de sociabilidade e de criatividade. Juntamente com o paciente da cama 1. Ambos revelam um diagnóstico de Melomania, um gosto excessivo por música. Que começa a incomodar os restantes pacientes. Desde manhã até à noite ambos utilizam tudo o que encontram para fazer música, e quando nada mais existe fazem-no com a boca, uma espécie de estalidos. Antes da hora de despertar ambos fazem o favor de “fazer de despertador” dos restantes doentes.

A convivência entre os dois, juntamente com o acompanhamento técnico tem vindo a ser benéfica para o desenvolvimento do estado de ambos. Esta mania insólita de se envolverem na música tem vindo a trazer progressos ao nível físico, psicológico e social. Ao nível do controlo emocional este encontra-se estável, tendo bastantes ganhos relativamente ao auto controlo.

Tudo isto, colmata numa melhoria significativa do paciente, tendo desaparecido os flashs de agressividade recorrentes. Estando agora bastante calmo e sociável. Concede-se a Alta a nível médico e social e aconselha-se, por falta de suporte familiar, a integração num centro de actividades ocupacionais, de forma a promover a autonomia do jovem.






(Texto escrito para Fábrica de Histórias)

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